Mais que uma estrada, uma lenda! A Transpantaneira, com seus 147 rústicos quilômetros, povoa o imaginário de 10 entre 10 viajantes como um obstáculo a ser vencido. E não poderia ser diferente para nós, Glória Tupinambás e Renato Weil, turistas profissionais e repórteres d’ A Casa Nômade! As 120 pontes da Transpantaneira rangem, estalam e envergam com o peso do nosso motorhome; a terra avermelhada se apresenta ora em nuvens de poeira, ora em assustadoras poças de barro; e as suas margens são uma viagem à parte. Por ali desfilam famosos personagens pantaneiros.


Portanto, prepare-se para o esquema: luz, câmera, ação! O Pantanal se apresenta de maneira cinematográfica aos visitantes. O tuiuiú mergulha seu longo bico na água e devora uma piranha. O gavião faz um voo magistral e captura sua presa com a elegância digna de uma bailarina. A garça-baguari, aparentemente inofensiva, avista peixes a metros de distância e mostra suas garras para matar a fome. A ariranha vigia sorrateira o seu território. Tucanos disputam espaço com pássaros menores nas árvores. Antas e capivaras pastam tranquilas com seus filhotes. E o jacaré…. ah, o rei do Pantanal mostra os dentes sem pudor, emite um som gutural (o esturro) para atrair as fêmeas e, entre um ataque e outro aos peixes, revela que até ele tem seu ponto fraco: sanguessugas incrustadas no céu da boca. Tudo isso a poucos metros de nós, que parecemos passar despercebidos aos olhos dos animais selvagens.


A viagem pela Transpantaneira ofereceu para nós, d’A Casa Nômade, uma surpresa a cada quilômetro. No trecho entre Poconé e Porto Jofre, nos confins do estado de Mato Grosso, foram várias freadas bruscas ao nos depararmos com animais selvagens à nossa frente; os ouvidos sempre ficaram atentos para curtir a sinfonia dos pássaros; e viajamos por ali sem nenhuma pressa. Outro ingrediente fundamental para o passeio foi a nossa disposição. O nascer e o pôr-do-sol foram espetáculos garantidos. Nos horários de pico do calor (entre 11h e 14h), valeu pegar a estrada para flagrar o banho de sol dos jacarés. À noite, o safári fotográfico rendeu lindos cliques…

Textos e fotos: Glória Tupinambás e Renato Weil / A Casa Nômade